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Largo do Beco

O mundo num beco. A rádio num coreto. A cultura num blogue.

Jukebox do Largo: Queens of the Stone Age - vídeo novo, em julho no Alive, a fazer-me sofrer desde (quase) 1993

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Mentira. Não me fazem sofrer desde 1993 porque só se formaram em 1996 e eu com 3 anos não ouvia coisa nenhuma.

Sim, o Jukebox do Largo desta semana (já lá vai quase um mês!) é sobre os míticos, os enormes, os para-lá-de-fantásticos Queens of the Stone Age. 

Escusado será dizer que são umas das minhas bandas preferidas de todos os tempos. Atualmente formada por Josh Homme, Troy Van Leeuwen, Dean Fertita, Michael Shuman e Jon Theodore, foram vários os músicos que, em alguma altura, fizeram parte da banda. Dave Catching é um dos rostos mais conhecidos, mas deixou de ser membro em 2000.

Na passada sexta-feira, a banda disponibilizou, finalmente, o vídeo do primeiro single do álbum Villains, lançado em agosto deste ano. O clipe ilustrativo de The Way You Used To Do só estava disponível para clientes da Apple Music, mas agora pode ser visto no canal oficial da banda e aqui:

Até então, para os comuns mortais, só estava disponível um vídeo com o behind the scenes que, na minha singela opinião, agrada mais do que o oficial. 

No entanto, como se o lançamento do vídeo não fosse emoção suficiente, no início desta semana, os QotSA foram anunciados como cabeça de cartaz do dia 13 de julho, no festival NOS Alive. Pois é aqui que entra o meu sofrimento. A banda já veio a Portugal algumas vezes, destaco o Rock in Rio, em 2014, em que eles abriram para os Linkin Park (entenda-se aqui a minha insatisfação para com este feito. Os QotSA não deviam abrir para ninguém. Só se fosse para os Queen) e quando foram ao Super Bock Super Rock, em 2013. Um ano a seguir ao outro, portanto. Foram dois anos seguidos em que fiquei em casa a vê-los na televisão, agarrada à almofada a chorar e a chamar nomes ao universo porque não me proporcionou oportunidade de os ir ver!

"Ó Joana, mais vale vê-los aqui em casa, no conforto do sofá do que estar lá apertada, no meio daquela gente toda. Até te fica de graça!" dizia a minha mãe perante o meu desconsolo. Fãs do rock e de música no geral sabem que não funciona assim. A confirmação deles no Alive partiu-me o coração porque:

1º - vocês sabiam que o preço dos bilhetes diários do NOS Alive aumentaram 6€ em relação ao ano passado? Pois é! Um f*cking bilhete, para um dia, custa agora 65€! 

2º - quem foi ao Alive por amor à música sabe, e não neguem, que o Passeio Marítimo de Algés não é o local indicado para curtir. Não porque a música não é boa. Não é isso... passa por um conjunto de fatores que todos os anos me fazem jurar nunca mais lá voltar. Desde a (fraca) qualidade do som, aos poseurs que entopem os acessos porque estão sentados no chão durante concertos até aos preços exorbitantes praticados no recinto. 

Respira Joana. Tempo agora para colocar aqui uma música para me acalmar.

Na verdade, meus amigos, o que mais me chateia é que é quase certo que eu vou pagar 65€ para os ir ver. Porque eles valem a pena e eu não quero ficar, outra vez, a chorar em casa. É isso que me parte o coração! Os dilemas da vida. Quando o diabo ao ouvido ganha e tu nem tentas resistir assim tanto.

Se me apontassem uma arma à cabeça e me obrigassem a escolher um dos seus álbuns como o meu preferido, provavelmente diria que é o Lullabies to Paralyze, mas depois pensava que nada se compara à minha felicidade quando comprei o Songs For The Deaf por 4€ na Tubitek e então davam-me um tiro e acabava ali a minha agonia de escolher só um. 

É justamente no Songs For The Deaf que se encontra aquela que é, possivelmente, a música mais conhecida da banda. Foi a primeira música deles que ouvi. Lembro-me que estava a passar o vídeo na MTV e pareceu-me ver o Dave Grohl (Foo Fighters, Nirvana) na bateria. E era mesmo! Foi ele quem me fez parar o zapping para apreciar aquela obra de arte. Falo da No One Knows, hino obrigatório em todos os seus concertos. Com um dos vídeos mais bizarros de sempre, esta é uma das músicas da minha vida. Na altura comentei com o meu irmão que o vocalista era equisito e parecia um boneco de cera. Não posso retirar o que disse...

 

Josh Homme, também conhecido como o Elvis Presley ruivo, e sus muchachos lançaram Villains em agosto deste ano e é nesses esses temas que a passagem da banda pelo festival se irá debruçar. Ainda que não chegue ao bom rock psicadélico do Era Vulgaris ou Rated R, por exemplo, é um disco muito bom e de certo que constará em várias listas dos álbuns do ano. 

Com o segundo single do mais recente álbum me despeço e espero por vocês lá no Alive. Contrariada e com mixed feelings

 

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Jukebox do Largo: Playlist de Outono 2017

Divulgação

 

Finalmente chegou o outono. Não o equinócio, porque esse já se deu há mais de um mês. Quando eu digo que chegou o outono, quero dizer as manhãs de nevoeiro, a chuva leve, as folhas amarelas e vermelhas no chão, a luz alaranjada das tardes frias, o anoitecer mais cedo. 

Eu vivo para o outono e tudo aquilo que ele traz. Nada me faz mais feliz do que pisar as folhas crocantes com uns 13ºC de máxima, ou ficar no sofá, com aquela manta macia que esteve guardada no armário tempo de mais, a ver um filme ou um episódio de uma série que regressou com nova temporada. 

O Jukebox desta semana oferece uma playlist para celebrar o outono. Quer seja para ficar em casa a beber um chocolate quente enquanto que a chuva cai lá fora, ou para ir a ouvir na rua, com os phones nos ouvidos, agasalhado com um casaco quente, acompanhado pelo cheirinho das castanhas assadas no ar, esta é a seleção do Largo para o outono de 2017.

 

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Jukebox do Largo: Dia Mundial da Música. As músicas da minha vida

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Hoje comemora-se o Dia Mundial da Música e no Jukebox desta semana vou viajar no tempo e falar sobre as músicas da minha vida, ou de qualquer outra pessoa nascida na primeira metade dos anos 90. 

Ainda não era nascida e já a música ditava uma grande importância na minha vida, ou não me chamasse eu Joana por causa da cantora brasileira Joanna, de quem a minha mãe ainda hoje é fã. O meu pai era fã dos Nirvana, a minha banda preferida nos dias de hoje.

Na cozinha da minha mãe, o rádio sempre teve mais importância do que uma televisão. O lugar dele é em cima do frigorífico e toca mesmo não estando lá ninguém. À conta disso ainda sei os jingles de quase todas as rádios existentes e extintas. Uma das minhas primeiras memórias com o rádio da cozinha é do meu irmão a dançar de forma desengonçada a Festa dos Despe e Siga. Esta é, por excelência, a música da minha infância. Sempre que ela toca na minha playlist, sou catapultada para a minha casa antiga, com a minha mãe sentada ao meu lado e o meu irmão a dançar. Hoje em dia sinto uma nostalgia em relação a esses tempos. 

Ainda na cozinha da casa antiga e nos anos 90, lembro-me de dar espetáculos dignos dos Onda Shock ao som da Everybody (Backstreet's back) dos Backstreet Boys. Boys e Girlsbands eram um sucesso naquela altura. Tudo o que era Spice Girls, Milénio, Excesso, Non Stop e outros que tais, eu estava na minha praia. Não havia Internet, só podia contar com o que passava na rádio e tendo em conta a década que era, não se podia esperar muito melhor, por isso não julguem, ok? Ok.

Foi na pré-adolescencia que comecei a perceber para onde se encaminhavam os meus gostos musicais. Antes de saber da existência de géneros musicais, esbarrei-me com a Avril Lavigne. Um dos meus primos apareceu lá em casa com o Let Go, o primeiro álbum dela, datado de 2002. Quando ouvi aquilo pela primeira vez achei demasiado esquisito e não entendia todo aquele barulho (os instrumentos musicais). Lembro-me de não gostar, mas foi com a Complicated que me rendi àquele barulho todo. Tinha deixado para trás as músicas desprovidas de conteúdo, tão características da segunda metade da década de 90. Sem saber, estava a aproximar-me do melhor que a música tinha para me oferecer.

 

Toda a gente que me conhece hoje sabe que eu gosto é do Rock e do Punk. Se me perguntassem "mas ó Joana, quando é que percebeste que gostavas disso?", eu contaria a história de quando andava no 6º ano e ouvi uns putos a ensaiar na sala de música da escola. Todas as semanas ensaiavam a mesma música e eu comecei a interiorizar aquela batida. Na altura eu tocava tudo o que ouvia na flauta. Nunca soube ler uma pauta, tocava de ouvido. Vai-se a ver e perdeu-se um grande nome na música. Um dia, estava eu a tocar flauta em casa e toco aquela batida que ouvia há semanas e o meu irmão pergunta "de onde raio é que conheces isso?" e eu lá lhe expliquei. Ele liga o computador, vai à playlist dele e põe a tocar uma música chamada Pretty Fly (For A White Guy). A minha cabeça explodiu! Era aquela! Era a tal! A música que mudou a minha vida, vim a saber mais tarde, era dos The Offspring, nome sonante no mundo do Punk Rock. Começou aí o meu amor por este género, que dura até hoje. A Pretty Fly é o início de tudo.

Dos Offspring aos Green Day foi um saltinho. Green Day é a banda que mais me marcou até hoje. Acompanhou-me nos momentos mais deprimentes aos mais felizes. Arriscaria a dizer que é a banda da minha vida. Permitiu-me criar laços com uma das minhas melhores amigas; nós faltávamos às aulas para ir ver o Bullet In A Bible, o DVD ao vivo deles. Com 12 anos fiz um trabalho de pesquisa intensiva sobre eles para uma disciplina na escola. Nessa altura, uma daquelas revistas para as adolescentes, trazia um póster maior do que eu, em que de um lado tinha o Cristiano Ronaldo sem camisola e do outro tinha o Billie Joe Armstrong. As miúdas estavam loucas com o Ronaldo, mas eu fui contar os trocos para o almoço e fui comprar a revista para ter um póster em tamanho gigante com o vocalista da minha banda preferida. Esse póster está guardado religiosamente nos meus arquivos pessoais mega secretos. Quase dez anos de amor depois, tive a oportunidade de os ver ao vivo no antigo Optimus Alive, em 2013. Confesso que chorei a cantar a minha preferida ao vivo, Jesus Of Suburbia

Quando fui para a escola secundária, deixei todos os meus amigos para trás e fui sozinha para uma cidade nova. Era o início de uma nova Era. Eu estava a crescer e tinha sede de coisas novas, isso passava também pela música. A única rapariga da minha cidade que estudava naquela escola, era a minha companheira de viagem e partilhava comigo a sua música às 7h40 todos os dias. Houve uma vez que ela pôs a tocar uma música que mexeu com o meu sistema. Era algo que eu nunca tinha ouvido antes, nem nunca algo parecido. Era The Kills. A música era a Sour Cherry e eu perguntei umas cinco vezes de quem era aquela música, para me certificar que não me esquecia. Tive Internet em casa nesse ano (sim, aos 15 anos é que tive internet em casa) e nesse mesmo dia fui "adquirir" essa música. Pois hoje tenho toda a discografia em CD na minha estante. Tão bom que é.

 

Nessa mesma altura apareceram os Nirvana. Apesar de extintos em 1994 pela morte do Kurt Cobain, só bem mais tarde é que entraramna minha vida, mas rápido se tornaram na minha banda preferida. Na verdade eu tenho muitas bandas preferidas, mas aquela que ocupa o centro do meu coração são mesmo os Nirvana; não só pelas músicas, mas também por tudo à sua volta. A magia por trás do Kurt e da sua obra, o facto do Dave Grohl, que eu já conhecia dos Foo Fighters, ter sido o baterista da banda... tudo isso contribuiu para uma adoração incondicional. Eu tenho um santuário dos Nirvana - tenho o diário do Kurt que funciona como bíblia, tenho o Treasures Of Nirvana que tem réplicas de bilhetes e cartazes e fotografias e tudo e mais alguma coisa que um verdadeiro fã possa querer. Tenho DVDs, t-shirts, livros, os álbuns, claro, e uma infinidade de informação. Nunca conseguiria escolher uma música preferida para postar aqui, então ponho a Sliver só porque sim.

Não é fácil encontrar bandas novas que me agradem. A última banda que me conquistou o coração foram os July Talk, uma banda do Canadá ainda meio underground, sobre a qual eu hei de dedicar um Jukebox. Esta banda é completamente diferente de todas as acima mencionadas. São dois vocalistas, Peter Dreimanis e Leah Fay. Ela tem a voz mais doce de sempre, uma coisinha aconchegante que nos toca a alma, ele tem um vozeirão a fazer lembrar o Tom Waits, mas mais forte e viciante. Foi este ano que os descobri e estou à espera que alguma alma se lembre de os trazer a este país porque preciso de um concerto deles. É rock n' roll do bom, uma lufada de ar fresco. Estou viciada nesta Beck + Call.

Não haveria forma de falar aqui sobre todas as músicas da minha vida e sinto-me mal por deixar tantas de fora. Desde Audioslave, passando por Arctic Monkeys, Queens of the Stone Age, os Xutos, os Peste e Sida, The Doors, Ramones, Oasis, os Beatles! São tantos que não teria como listar todos.

Certo é que a música tem a fantástica capacidade de nos levar a viajar no tempo e no espaço. Tendemos a associar certas músicas a certas pessoas e, em boa verdade, a música conecta-nos. É um cliché muito grande dizer que a Música é a língua universal, mas tem tanto de cliché como de verdade. Ouçam música, ide a concertos e sejam felizes. 

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Jukebox do Largo: The Dead Weather - "Dodge and Burn"

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A Jukebox do Largo comemora hoje o segundo aniversário de Dodge and Burn, dos The Dead Weather, lançado a 25 de setembro de 2015. Lembro-me de passar o verão desse ano na ânsia de que esse dia chegasse. Eu tinha entrado na faculdade há poucos dias e precisava de algo familiar para me acompanhar na minha nova jornada. Este é, portanto, um dos álbuns da minha vida. Até o tive como presente de Natal nesse ano! Dodge and Burn é o terceiro álbum de estúdio da banda antecedido por Sea of Cowards (2010) e Horehound (2009).

Os The Dead Weather são um supergrupo formado por Alison Mosshart (The Kills), Jack White (The White Stripes, The Raconteurs), Dean Fertita (Queens of the Stone Age) e Jack Lawrence (The Raconteurs, City and Colour). A influência de cada artista funciona de forma perfeita e resulta num blues-rock que não é comparável a mais banda nenhuma. 

O álbum começa com I Feel Love (Every Million Miles), uma suposta canção de amor mas que é logo deitada por terra pelo "every once in a while" atirado pela Alison (traduzindo: sinto amor de vez em quando). Aqui está o espírito dos Dead Weather.

 

Há dois anos soube que este álbum não ia desiludir, e não desiludiu! Alguns temas mais à frente, chegamos a Three Dollars Hat, a canção que eu ouvia sem parar e que, até hoje, é a minha preferida. Com uma vibe a fazer lembrar os filmes do Tim Burton, ainda hoje tenho pena que não haja vídeo para esta música. Consigo imaginar o Jack White como um Eduardo Mãos de Tesoura psicadélico a interagir com a loucura da Alison Mosshart num cenário no meio de um bosque numa noite de nevoeiro. 

Exatamente a meio do álbum toca a Rough Detective e a loucura instala-se. Esta é, talvez, a canção mais histérica de Dodge and Burn com a Alison e o Jack a puxar cada um para seu lado. No meio das suas vozes há ainda o agradável caos das guitarras. Acredito que, quando o Jack pergunta "What's happening?" (o que é que está a acontecer?), estava a ser sincero; quem ouve está a pensar o mesmo, mas não consegue estar parado.

Quando saiu o single Be Still, ainda antes do álbum ser lançado, lembro-me de ficar obcecada com a melodia e a voz da Alison. Dois anos depois, ao ouvir esta canção enquanto escrevo, ainda consigo sentir o mesmo. A banda não lançava nada desde 2010 e com esta canção, com o facto da letra ser tão aleatória, eu consegui lembrar-me do porquê de ser uma das minhas preferidas. É algo que mais nenhuma banda faria. É 100% Dead Weather. 

 

A fechar o álbum está Impossible Winner, escrita pela Alison. É uma boa forma de fechar os 12 temas que compõe Dodge and Burn. Impossible Winner é mais calma, mas sóbria e com mais arranjos do que todas as outras. A ilustrar este tema há o vídeo oficial da música que faz alusão à estranheza da capa e do próprio CD. Se olharmos com atenção, o Jack Lawrence tem seis dedos na mão apoiada na sua perna e o CD é um Raio-X de uma mão com seis dedos. O vídeo desta música é um freak show em que cada personagem tem a sua particularidade. 

 

Dodge and Burn merece ser ouvido do início ao fim, sem interrupções, estejamos sozinhos ou acompanhados. É daqueles álbuns que nos faz sentir coisas que nunca sentimos antes nem sabemos como descrever, mesmo que se tenham passado dois anos ou dez. Não seria de esperar menos do génio da música que é o Jack White e do seu super-grupo de músicos com mais do que provas dadas. Já se passaram dois anos desde o último sinal de vida dos Dead Weather, esperemos não ter de esperar muito mais pelo próximo.

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Jukebox do Largo: Foo Fighters - "Concrete And Gold"

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 Concrete and Gold 4.5 / 5 ★

 

Concrete and Gold, dos Foo Fighters, é, sem dúvida alguma, um dos álbuns mais esperados do ano. Foi lançado no passado dia 15 e partilha o mês de lançamento com uma das maiores bandas do rock, os amigos da banda, Queens of the Stone Age.

Se, na verdade, eu sempre julguei um pouco as críticas a quente, visto que as músicas ainda não tiveram tempo de amadurecer em nós, o caso de Concrete and Gold é diferente. Todos estes meses de espera valeram a pena!

Este é o nono álbum de estúdio da mítica banda de Dave Grohl e companhia e conta com 11 temas. Numa carreira com mais de 20 anos e com presença ativa nos palcos pelo mundo inteiro, havia a necessidade de inovar e experimentar sonoridades diferentes. Greg Kurstin, produtor de estrelas da música Pop como Sia, Adele e Pink, foi o escolhido para colaborar no mais recente álbum da banda. A sonoridade conseguida é algo nunca antes ouvido no, agora sexteto com a presença oficial do teclista Rami Jaffee.

A primeira faixa, T-shirt, parece ser uma bonita canção de embalar, mas toma uma forma mais pesada e funciona como introdução ao álbum. Logo de seguida, parecendo até fazer parte da canção anterior, faz-se chegar Run, o primeiro single lançado. Da primeira vez que ouvi soou meio metal, meio hard rock, mas a batida mais mainstream dá-lhe um contraste fantástico. Aqui temos a confirmação de que os gritos característicos do Dave estão de volta.

 

Segue-se Make It Right, com um groove que dá vontade de começar a dançar e segundas vozes que ficam na cabeça. Os la la las são cortesia do Justin Timberlake que tentou a sua sorte ao perguntar ao Dave se podia cantar no novo álbum. Bem jogado, Justin!

The Sky Is A Neighborhood é a música que se segue e é já conhecida do público, pois foi o segundo single a ser lançado. Tenho esta música presa na cabeça desde o dia em que o single foi lançado. À primeira escuta imaginei-a ao vivo com uma grandiosa orquestra e um coro de miúdos no refrão. Depois de a ouvir umas 20 vezes, tenho a certeza que os Foos deviam ter essa ideia é pô-la em prática.

 

A seguir vem La Dee Da e eu sou suspeita a comentar esta música porque é partilhada com a minha vocalista preferida desde os tempos de miúda, Alison Mosshart, dos The Kills. Ouvir a La Dee Da é o equivalente a beber 2 litros de café num dia quando só se costuma beber 4 chávenas. Rock ‘n’ Roll do melhor numa espécie de rádio mal sintonizado. Quem diria que os berros da Alison fossem feitos do mesmo que os dos do Dave. Nas palavras do Dave Grohl, esta música é muito “cool”. Dá vontade de pegar no carro e conduzir para além da velocidade máxima permitida por lei. Estas duas vozes juntas são uma bênção. Este tema foi tocado ao vivo na edição deste ano do NOS Alive que contou com os Foo Fighters como cabeça de cartaz. Depois da corrida que foi a canção anterior, vem Dirty Water, uma espécie de bossa nova/música na praia com os amigos ao final da tarde em Junho... tão doce, os coros são adoráveis e a voz do Dave está no ponto. Esta música remete para os tempos da “Big Me” (Foo Fighters, 1995), com uma inocência que contrasta com todos os temas até então. A dada altura, o ritmo fica mais pesado e as guitarras intensificam-se. A tensão na voz do Dave relembra-nos que álbum é que estamos a ouvir; não se deixem enganar. É o Concrete and Gold, o melhor álbum de rock do ano.

Arrows prepara o ouvinte para uma "segunda metade" do álbum. Sonoridades diferentes começam a partir daqui. É um marco importante a dada altura em Concrete and Gold. Com a Happy Ever After (Zero Hour) fui levada imediatamente para uma mistura de canção minimalista com a "Next Year" (There Is Nothing Left To Lose, 1999). Uma das canções mais bonitas de todo o álbum. A harmonia entre as vozes, a simplicidade da primeira guitarra, o leve crescendo. Esta música faz viajar no tempo. Arriscaria a dizer que tem um quê de Beatles.

Na nona faixa, Sunday Rain, o baterista Taylor Hawkins assume o papel de vocalista e quem se senta na bateria é Paul McCartney. Esta música tem uma mística, um psicadelismo à sua volta. É uma ode ao rock clássico. É a música mais longa deste álbum, com 6 minutos e 12 segundos. Sunday Rain é, neste momento, a minha música preferida, talvez por me levar a viajar no tempo e noutras sonoridades. Não há nada de errado com esta música. E a dada altura ainda temos um bónus: um grito característico do Sir Paul McCartney. Com o álbum quase a fechar, esta surpresa vem mesmo a calhar. E o solo de piano completamente aleatório no final? Genial! The Line, foi o single lançado poucos dias antes da estreia do álbum. De volta à voz de Dave Grohl, esta é uma música que cairia bem num festival de verão ao pôr do sol. A vibe pop está muito forte neste refrão.

Chegou a altura do fecho com a canção que dá título ao álbum. Riffs pesados, a voz baixa dá protagonismo aos instrumentos. Durante a gravação, Dave Grohl achou que uns coros ficariam bem no refrão e fez acontecer. Esta música leva-nos para uma atmosfera Pink Floydesca com um toque angelical. Podemos relaxar e respirar de todo o misto de emoções que foi Concrete and Gold até aqui. As guitarras ficam a ressoar como quando vamos a um concerto ao vivo e a banda sai, o palco fica vazio, mas ainda há aquelas cordas a vibrar e a fazer-se propagar.

Este álbum pode ser considerado um risco que a banda teve de correr, mas não tem como sair furado. Num percurso tão longo, com tantas provas dadas, os Foo Fighters não desiludem. Temos aqui uma dose de Rock e boas misturas de géneros musicais que pode fazer de Concrete and Gold um dos melhores, se não o melhor, álbum de 2017.

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