Adeus aos meus amores que me vou p’ra outro mundo

Morreu o Zé Pedro. O Zé Pedro dos Xutos. Que estupidez!

Não há português nenhum que não saiba quem são os Xutos&Pontapés. A banda mítica, transversal a todas as gerações. De miúdos a graúdos todos sabem, pelo menos, cantarolar um ou outro verso. Os Xutos estão para o Rock como a Amália para o Fado e o Eusébio para o futebol, mas o Zé Pedro não vai para o Panteão.

Guardião do Rock, Keith Richards português. Viveu como quis e bem lhe apeteceu. Viveu como uma rock star. Desde miúda, quando ainda nem sabia que o rock ia ser o modo de vida que me esperava, que queria “ser fixe como o Zé Pedro dos Xutos”.

Nunca privei com ele. Vi-o pela primeira vez em 2014, no Super Bock Super Rock, no seu concerto em homenagem ao Lou Reed. Levou com ele um elenco incrível de bons músicos portugueses. Como nos filmes, em plano contrapicado, estava Deus no céu e o Zé Pedro no palco. Fiquei extasiada com a presença daquele homem, do meu ídolo! O seu sorriso era uma constante. Parecia olhar para cada um daqueles espectadores e tocar-lhes a alma com uma doçura um tanto desconcertante. Afinal, pode um homem do rock ser tão incrível? Pode.

Quem teve a honra de conviver com o Zé Pedro conta pormenores maravilhosos sobre a personalidade dele. Desde a notícia avançada pelos média esta tarde, foram vários os estados de pesar partilhados por nomes conhecidos da música portuguesa. Todos tecem comentários à volta da sua bondade e força de viver.

Custa-me ter perdido um ídolo. Custa-me este luto coletivo. Custa-me porque o Zé Pedro amava a vida e lutava por ela com unhas e dentes. Vi os Xutos ao vivo este verão. Estava tão feliz, tão deslumbrada pela presença daquelas lendas vivas que nem reparei no estado débil do Zé. Tive um pressentimento estranho. Mas os Xutos continuaram e acabaram a tour há pouco tempo. O Zé Pedro provou que aguentava tudo. Era um guerreiro. Débil mas sorridente, desfilava nos palcos a distribuir “olás” pelas pessoas. Acenava a todos os que lhe acenavam. Quando desceu do palco, transformou-se. Estava visivelmente cansado e abatido, mas sorriu-me. Eu sorri de volta. “Olá Zé Pedro! Sou tua fã desde que me lembro! Um dia quero ser fixe como tu”, ficou por dizer, na minha cabeça. Vi-o ir embora.

Morreu o Zé Pedro. O Zé Pedro dos Xutos. Tenho tanta pena!

Que vida malvada, que estupidez! Ele ia começar os tratamentos em breve…

O Zé Pedro, dos Xutos, é uma lenda e as lendas não morrem. O Rock não é feito de marginais. É feito de homens bons e o Zé Pedro era um homem bom.

8 comentários

  1. Curiosamente hoje os media não falam da morte de ninguém, será que não morreu ninguém hoje ? É que anteontem morreu o miro e a imprensa não se calou, ontem morreu o zé e a impressa não se cala, de certeza que hoje também morreu gente mas a imprensa não diz nada. 

  2. Se o ze pedro não tivesse xutado tanto se calhar ainda estava vivo. Portanto o tipo até durou muito, antes ele que eu. Depressa aparece outro para lhe ocupar o lugar, só faz falta quem cá está.

  3. Faleceu o “Mick jagger ” português! Como todos os idolos, e artistas, acabam por ser “vitimas” dos fãs, que exigem sempre mais e mais…. muitas vezes eles têm que procurar forças e inspiração, em algo que os acaba por destruir! Deixo as palavras do F.Tordo : “Na minha vida tive palmas e fracassos

    “Fui amargura feita notas e compassos…

    Adeus tristeza, até depois
    Chamo-te triste por sentir que entre os dois
    Não há  mais nada pra fazer ou conversar
    Chegou a hora de acabar”….

  4. Ka lindo! Até me vieram as lagrimas ao olho (do ku). Tu caladinho eras um poeta. O pedro finou-se porque andou a xutar pra beia todas as merdas que lhe apareceram na frente. Já andava cá a arrastar-se, ainda bem que se finou senão ainda iriamos ter que suportar as despesas do tratamento. Estes palhaços estragam a saúde e depois os contribuintes que paguem os tratamentos. O individuo finou-se na hora certa. Alejuiah!

  5. Fds! E quem paga essa merda ? Como contribuinte sou contra. Não precisamos dessas tretas pra nada. O gajo já tem um moral no cemitério, não precisa de outro.

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