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Largo do Beco

O mundo num beco. A cultura num blogue.

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Direitos Reservados

 

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Música e no Jukebox desta semana vou viajar no tempo e falar sobre as músicas da minha vida, ou de qualquer outra pessoa nascida na primeira metade dos anos 90. 

Ainda não era nascida e já a música ditava uma grande importância na minha vida, ou não me chamasse eu Joana por causa da cantora brasileira Joanna, de quem a minha mãe ainda hoje é fã. O meu pai era fã dos Nirvana, a minha banda preferida nos dias de hoje.

Na cozinha da minha mãe, o rádio sempre teve mais importância do que uma televisão. O lugar dele é em cima do frigorífico e toca mesmo não estando lá ninguém. À conta disso ainda sei os jingles de quase todas as rádios existentes e extintas. Uma das minhas primeiras memórias com o rádio da cozinha é do meu irmão a dançar de forma desengonçada a Festa dos Despe e Siga. Esta é, por excelência, a música da minha infância. Sempre que ela toca na minha playlist, sou catapultada para a minha casa antiga, com a minha mãe sentada ao meu lado e o meu irmão a dançar. Hoje em dia sinto uma nostalgia em relação a esses tempos. 

Ainda na cozinha da casa antiga e nos anos 90, lembro-me de dar espetáculos dignos dos Onda Shock ao som da Everybody (Backstreet's back) dos Backstreet Boys. Boys e Girlsbands eram um sucesso naquela altura. Tudo o que era Spice Girls, Milénio, Excesso, Non Stop e outros que tais, eu estava na minha praia. Não havia Internet, só podia contar com o que passava na rádio e tendo em conta a década que era, não se podia esperar muito melhor, por isso não julguem, ok? Ok.

Foi na pré-adolescencia que comecei a perceber para onde se encaminhavam os meus gostos musicais. Antes de saber da existência de géneros musicais, esbarrei-me com a Avril Lavigne. Um dos meus primos apareceu lá em casa com o Let Go, o primeiro álbum dela, datado de 2002. Quando ouvi aquilo pela primeira vez achei demasiado esquisito e não entendia todo aquele barulho (os instrumentos musicais). Lembro-me de não gostar, mas foi com a Complicated que me rendi àquele barulho todo. Tinha deixado para trás as músicas desprovidas de conteúdo, tão características da segunda metade da década de 90. Sem saber, estava a aproximar-me do melhor que a música tinha para me oferecer.

 

Toda a gente que me conhece hoje sabe que eu gosto é do Rock e do Punk. Se me perguntassem "mas ó Joana, quando é que percebeste que gostavas disso?", eu contaria a história de quando andava no 6º ano e ouvi uns putos a ensaiar na sala de música da escola. Todas as semanas ensaiavam a mesma música e eu comecei a interiorizar aquela batida. Na altura eu tocava tudo o que ouvia na flauta. Nunca soube ler uma pauta, tocava de ouvido. Vai-se a ver e perdeu-se um grande nome na música. Um dia, estava eu a tocar flauta em casa e toco aquela batida que ouvia há semanas e o meu irmão pergunta "de onde raio é que conheces isso?" e eu lá lhe expliquei. Ele liga o computador, vai à playlist dele e põe a tocar uma música chamada Pretty Fly (For A White Guy). A minha cabeça explodiu! Era aquela! Era a tal! A música que mudou a minha vida, vim a saber mais tarde, era dos The Offspring, nome sonante no mundo do Punk Rock. Começou aí o meu amor por este género, que dura até hoje. A Pretty Fly é o início de tudo.

Dos Offspring aos Green Day foi um saltinho. Green Day é a banda que mais me marcou até hoje. Acompanhou-me nos momentos mais deprimentes aos mais felizes. Arriscaria a dizer que é a banda da minha vida. Permitiu-me criar laços com uma das minhas melhores amigas; nós faltávamos às aulas para ir ver o Bullet In A Bible, o DVD ao vivo deles. Com 12 anos fiz um trabalho de pesquisa intensiva sobre eles para uma disciplina na escola. Nessa altura, uma daquelas revistas para as adolescentes, trazia um póster maior do que eu, em que de um lado tinha o Cristiano Ronaldo sem camisola e do outro tinha o Billie Joe Armstrong. As miúdas estavam loucas com o Ronaldo, mas eu fui contar os trocos para o almoço e fui comprar a revista para ter um póster em tamanho gigante com o vocalista da minha banda preferida. Esse póster está guardado religiosamente nos meus arquivos pessoais mega secretos. Quase dez anos de amor depois, tive a oportunidade de os ver ao vivo no antigo Optimus Alive, em 2013. Confesso que chorei a cantar a minha preferida ao vivo, Jesus Of Suburbia

Quando fui para a escola secundária, deixei todos os meus amigos para trás e fui sozinha para uma cidade nova. Era o início de uma nova Era. Eu estava a crescer e tinha sede de coisas novas, isso passava também pela música. A única rapariga da minha cidade que estudava naquela escola, era a minha companheira de viagem e partilhava comigo a sua música às 7h40 todos os dias. Houve uma vez que ela pôs a tocar uma música que mexeu com o meu sistema. Era algo que eu nunca tinha ouvido antes, nem nunca algo parecido. Era The Kills. A música era a Sour Cherry e eu perguntei umas cinco vezes de quem era aquela música, para me certificar que não me esquecia. Tive Internet em casa nesse ano (sim, aos 15 anos é que tive internet em casa) e nesse mesmo dia fui "adquirir" essa música. Pois hoje tenho toda a discografia em CD na minha estante. Tão bom que é.

 

Nessa mesma altura apareceram os Nirvana. Apesar de extintos em 1994 pela morte do Kurt Cobain, só bem mais tarde é que entraramna minha vida, mas rápido se tornaram na minha banda preferida. Na verdade eu tenho muitas bandas preferidas, mas aquela que ocupa o centro do meu coração são mesmo os Nirvana; não só pelas músicas, mas também por tudo à sua volta. A magia por trás do Kurt e da sua obra, o facto do Dave Grohl, que eu já conhecia dos Foo Fighters, ter sido o baterista da banda... tudo isso contribuiu para uma adoração incondicional. Eu tenho um santuário dos Nirvana - tenho o diário do Kurt que funciona como bíblia, tenho o Treasures Of Nirvana que tem réplicas de bilhetes e cartazes e fotografias e tudo e mais alguma coisa que um verdadeiro fã possa querer. Tenho DVDs, t-shirts, livros, os álbuns, claro, e uma infinidade de informação. Nunca conseguiria escolher uma música preferida para postar aqui, então ponho a Sliver só porque sim.

Não é fácil encontrar bandas novas que me agradem. A última banda que me conquistou o coração foram os July Talk, uma banda do Canadá ainda meio underground, sobre a qual eu hei de dedicar um Jukebox. Esta banda é completamente diferente de todas as acima mencionadas. São dois vocalistas, Peter Dreimanis e Leah Fay. Ela tem a voz mais doce de sempre, uma coisinha aconchegante que nos toca a alma, ele tem um vozeirão a fazer lembrar o Tom Waits, mas mais forte e viciante. Foi este ano que os descobri e estou à espera que alguma alma se lembre de os trazer a este país porque preciso de um concerto deles. É rock n' roll do bom, uma lufada de ar fresco. Estou viciada nesta Beck + Call.

Não haveria forma de falar aqui sobre todas as músicas da minha vida e sinto-me mal por deixar tantas de fora. Desde Audioslave, passando por Arctic Monkeys, Queens of the Stone Age, os Xutos, os Peste e Sida, The Doors, Ramones, Oasis, os Beatles! São tantos que não teria como listar todos.

Certo é que a música tem a fantástica capacidade de nos levar a viajar no tempo e no espaço. Tendemos a associar certas músicas a certas pessoas e, em boa verdade, a música conecta-nos. É um cliché muito grande dizer que a Música é a língua universal, mas tem tanto de cliché como de verdade. Ouçam música, ide a concertos e sejam felizes. 

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