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Largo do Beco

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Club de Vila Real: “Foi mesmo magia!”

 Lino Silva/covilhete na mão

 Mário Pinto (ou Márito como é conhecido por todos) esteve seis anos a desafiar o Universo com a dinamização cultural no Club de Vila Real. Com um orçamento proveniente de quotas irrisórias pagas pelos associados (um euro mensal) e cerca de mil euros anuais atribuídos pela Câmara Municipal foi “com grande sacrifício que iniciei, que mantive e que encerro este capítulo”, desabafou na nota que publicou na sua página de Facebook a explicar e dar conhecimento do encerramento do espaço.

A cultura, que há 124 anos habitava o edifício com cinco séculos de história, localizado na principal avenida da cidade, a avenida Carvalho Araújo, foi “despejada” daquele imóvel, no passado dia 7, “qual hóspede indesejado” quando espaços como o Club de Vila Real são raríssimos e protegidos pela Europa. O jovem não desarma e não se inibe de colocar o dedo na ferida alegando que “são focos de resistência cultural contra os movimentos de capital e de interesses, arrasadores da Cultura e do urbanismo e oferta das cidades”.

Foram 571 concertos em 6 anos e cerca de 300 outros eventos. Mas “ainda mais importante não foram os números, mas a qualidade incrível das bandas que por aqui passaram. Foi uma magia que valeu a pena viver e que transformou a dinâmica da cidade”, pode ler-se na nota.

Facebook CLUB de Vila Real

 E é nas redes sociais que a indignação sobe de tom contra o encerramento do Club de Vila Real. Bandas, artistas, músicos, muitos dos que por lá passaram e até se estrearam naquele palco, estão a deixar testemunhos e homenagens e a partilhar uma frase escrita num fundo preto onde se pode ler: “De luto pelo encerramento do Clube de Vila Real. Obrigado Márito pelo que nos proporcionaste”.

“Foi mesmo magia!” é a frase com que Márito resume o ambiente que viveu durante estes últimos anos. E se é “com profunda consternação, com grande tristeza e devastado” que anunciou o encerramento do Club de Vila Real, o jovem deixa um “atá já a todos” e garante que o ambiente que se viveu no Club de Vila Real “foi um hino à vida! um hino à multiculturalidade e as diferentes formas de expressão”.

Do Excelsior ao Club

Traga Mundos/Direitos Reservados

 O encerramento do “Café Excelsior” em 2004 ditou o primeiro desafio do jovem Mário Pinto. O espaço estava na sua família há cinquenta anos e há quase um século a funcionar como a sala de visitas de Vila Real.

O Excelsior, situado em plena zona histórica da cidade, era uma referência da tertúlia vila-realense. Na memória de todos os que o frequentaram, ou dos muitos que o visitaram pela sua história, ficará a imagem do mobiliário, as mesas em castanho, os bancos forrados a couro, os mármores, os vitrais de cristal francês, dos magníficos tetos, dos ornamentos, dourados, em gesso.

A casa que albergava o Café Excelsior, onde também existia uma pensão, denunciava alguns sinais de degradação. Contudo, guardava segredos de conversas trocadas em surdina por políticos, alta sociedade, e outros que tais, que nos anos quarenta e cinquenta, por ali passavam os dias.

Mas nesta família a história parece repetir-se. Como aconteceu com o Club de Vila Real também o icónico Excelsior fechou portas. Em julho de 2004 uma mensagem SMS era difundida por todos os telemóveis das pessoas da cidade. A convocatória começava assim: "Manifestação de indignação pública. O Excelsior não pode ir abaixo”. O fundamento era protestarem em frente à autarquia contra a ameaça de destruição do Excelsior, um dos cafés mais antigos e emblemáticos da cidade transmontana.

Contudo, de nada valeu. O edifício foi demolido e de uma das casas mais emblemáticas de Vila Real rapidamente se transformou num edifício onde vão foram instaladas lojas comerciais, um pequeno parque de estacionamento e zona habitacional, mantendo-se apenas a sua traça arquitetónica oitocentista.

“Espero voltar a ultrapassar-me!” diz Márito na sua nota do Facebook. Ele que está habituado às adversidades e contrariedades mundanas da cidade.

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