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17
Set17

Jukebox do Largo: Foo Fighters - "Concrete And Gold"


Joana Ribeiro Santos

Direitos Reservados

 Concrete and Gold 4.5 / 5 ★

 

Concrete and Gold, dos Foo Fighters, é, sem dúvida alguma, um dos álbuns mais esperados do ano. Foi lançado no passado dia 15 e partilha o mês de lançamento com uma das maiores bandas do rock, os amigos da banda, Queens of the Stone Age.

Se, na verdade, eu sempre julguei um pouco as críticas a quente, visto que as músicas ainda não tiveram tempo de amadurecer em nós, o caso de Concrete and Gold é diferente. Todos estes meses de espera valeram a pena!

Este é o nono álbum de estúdio da mítica banda de Dave Grohl e companhia e conta com 11 temas. Numa carreira com mais de 20 anos e com presença ativa nos palcos pelo mundo inteiro, havia a necessidade de inovar e experimentar sonoridades diferentes. Greg Kurstin, produtor de estrelas da música Pop como Sia, Adele e Pink, foi o escolhido para colaborar no mais recente álbum da banda. A sonoridade conseguida é algo nunca antes ouvido no, agora sexteto com a presença oficial do teclista Rami Jaffee.

A primeira faixa, T-shirt, parece ser uma bonita canção de embalar, mas toma uma forma mais pesada e funciona como introdução ao álbum. Logo de seguida, parecendo até fazer parte da canção anterior, faz-se chegar Run, o primeiro single lançado. Da primeira vez que ouvi soou meio metal, meio hard rock, mas a batida mais mainstream dá-lhe um contraste fantástico. Aqui temos a confirmação de que os gritos característicos do Dave estão de volta.

 

Segue-se Make It Right, com um groove que dá vontade de começar a dançar e segundas vozes que ficam na cabeça. Os la la las são cortesia do Justin Timberlake que tentou a sua sorte ao perguntar ao Dave se podia cantar no novo álbum. Bem jogado, Justin!

The Sky Is A Neighborhood é a música que se segue e é já conhecida do público, pois foi o segundo single a ser lançado. Tenho esta música presa na cabeça desde o dia em que o single foi lançado. À primeira escuta imaginei-a ao vivo com uma grandiosa orquestra e um coro de miúdos no refrão. Depois de a ouvir umas 20 vezes, tenho a certeza que os Foos deviam ter essa ideia é pô-la em prática.

 

A seguir vem La Dee Da e eu sou suspeita a comentar esta música porque é partilhada com a minha vocalista preferida desde os tempos de miúda, Alison Mosshart, dos The Kills. Ouvir a La Dee Da é o equivalente a beber 2 litros de café num dia quando só se costuma beber 4 chávenas. Rock ‘n’ Roll do melhor numa espécie de rádio mal sintonizado. Quem diria que os berros da Alison fossem feitos do mesmo que os dos do Dave. Nas palavras do Dave Grohl, esta música é muito “cool”. Dá vontade de pegar no carro e conduzir para além da velocidade máxima permitida por lei. Estas duas vozes juntas são uma bênção. Este tema foi tocado ao vivo na edição deste ano do NOS Alive que contou com os Foo Fighters como cabeça de cartaz. Depois da corrida que foi a canção anterior, vem Dirty Water, uma espécie de bossa nova/música na praia com os amigos ao final da tarde em Junho... tão doce, os coros são adoráveis e a voz do Dave está no ponto. Esta música remete para os tempos da “Big Me” (Foo Fighters, 1995), com uma inocência que contrasta com todos os temas até então. A dada altura, o ritmo fica mais pesado e as guitarras intensificam-se. A tensão na voz do Dave relembra-nos que álbum é que estamos a ouvir; não se deixem enganar. É o Concrete and Gold, o melhor álbum de rock do ano.

Arrows prepara o ouvinte para uma "segunda metade" do álbum. Sonoridades diferentes começam a partir daqui. É um marco importante a dada altura em Concrete and Gold. Com a Happy Ever After (Zero Hour) fui levada imediatamente para uma mistura de canção minimalista com a "Next Year" (There Is Nothing Left To Lose, 1999). Uma das canções mais bonitas de todo o álbum. A harmonia entre as vozes, a simplicidade da primeira guitarra, o leve crescendo. Esta música faz viajar no tempo. Arriscaria a dizer que tem um quê de Beatles.

Na nona faixa, Sunday Rain, o baterista Taylor Hawkins assume o papel de vocalista e quem se senta na bateria é Paul McCartney. Esta música tem uma mística, um psicadelismo à sua volta. É uma ode ao rock clássico. É a música mais longa deste álbum, com 6 minutos e 12 segundos. Sunday Rain é, neste momento, a minha música preferida, talvez por me levar a viajar no tempo e noutras sonoridades. Não há nada de errado com esta música. E a dada altura ainda temos um bónus: um grito característico do Sir Paul McCartney. Com o álbum quase a fechar, esta surpresa vem mesmo a calhar. E o solo de piano completamente aleatório no final? Genial! The Line, foi o single lançado poucos dias antes da estreia do álbum. De volta à voz de Dave Grohl, esta é uma música que cairia bem num festival de verão ao pôr do sol. A vibe pop está muito forte neste refrão.

Chegou a altura do fecho com a canção que dá título ao álbum. Riffs pesados, a voz baixa dá protagonismo aos instrumentos. Durante a gravação, Dave Grohl achou que uns coros ficariam bem no refrão e fez acontecer. Esta música leva-nos para uma atmosfera Pink Floydesca com um toque angelical. Podemos relaxar e respirar de todo o misto de emoções que foi Concrete and Gold até aqui. As guitarras ficam a ressoar como quando vamos a um concerto ao vivo e a banda sai, o palco fica vazio, mas ainda há aquelas cordas a vibrar e a fazer-se propagar.

Este álbum pode ser considerado um risco que a banda teve de correr, mas não tem como sair furado. Num percurso tão longo, com tantas provas dadas, os Foo Fighters não desiludem. Temos aqui uma dose de Rock e boas misturas de géneros musicais que pode fazer de Concrete and Gold um dos melhores, se não o melhor, álbum de 2017.

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